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Da gôndola ao projeto: como o home center se reinventa diante do novo consumidor

O home center deixou de ser apenas um local para comprar materiais de construção. Cada vez mais, a loja precisa ajudar o consumidor a definir o que fazer, escolher produtos, comparar soluções, contratar serviços, retirar pedidos e acompanhar a execução de uma obra ou reforma.

Essa transformação acontece em um cenário de oportunidades e pressão. O varejo de material de construção movimentou cerca de R$ 238,9 bilhões em 2025 e reunia 160.627 lojas, segundo dados do Instituto de Pesquisas Anamaco divulgados em 2026. Ao mesmo tempo, juros elevados, aumento dos custos da construção e maior sensibilidade a preço tornam o consumidor mais seletivo.

Para as redes, isso muda a função do ponto de venda. A loja precisa ser produtiva, clara e flexível, acomodando venda a varejo, atendimento profissional, serviços de instalação, retirada omnichannel e retail media sem transformar o ambiente em um depósito desorganizado.

A questão central não é apenas como expor mais produtos. É como estruturar um home center capaz de vender projetos, soluções e serviços, e não somente itens isolados.

Um mercado grande, mas mais exigente

O varejo de material de construção possui forte capilaridade e atende públicos com necessidades bastante diferentes. Pequenos reparos domésticos, reformas completas, obras profissionais e projetos de decoração podem acontecer dentro da mesma rede, mas exigem jornadas distintas.

De acordo com o levantamento apresentado pelo Instituto de Pesquisas Anamaco, 73,4% das vendas do setor estão relacionadas a reformas. Esse dado ajuda a explicar por que o consumidor não procura apenas disponibilidade de produto. Ele também precisa de orientação, combinação de materiais, cálculo de quantidade, apoio técnico e, em muitos casos, serviços de instalação.

O ambiente macroeconômico torna essa decisão ainda mais complexa. O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, do IBGE, registrou em julho de 2026 alta mensal de 0,44% no custo nacional da construção. O custo por metro quadrado passou de R$ 1.976,37 em junho para R$ 1.985,10 em julho, enquanto os materiais acumulavam alta de 5,81% em 12 meses.

Quando o custo da obra aumenta, erros de compra, desperdícios e retrabalho se tornam mais relevantes. Um home center competitivo precisa reduzir a incerteza do consumidor e tornar a jornada mais eficiente.

A expansão da Obramax mostra que a loja física continua estratégica

Mesmo com o avanço do comércio eletrônico, os investimentos em lojas físicas continuam acontecendo no setor.

A Obramax, empresa do Grupo Adeo, controlador também da Leroy Merlin, anunciou investimentos de R$ 880 milhões até o fim de 2026 e um plano de expansão que pode levar a rede a 45 ou 50 unidades até 2029, conforme reportado pelo Painel S.A., da Folha de S.Paulo.

O movimento é relevante porque a Obramax não opera com exatamente a mesma proposta da Leroy Merlin. Enquanto a Leroy Merlin trabalha com uma abordagem mais ampla de varejo, inspiração e solução para a casa, a Obramax possui foco mais concentrado em profissionais da construção.

Essa diferença de público também exige diferenças de arquitetura comercial.

O profissional tende a valorizar rapidez, disponibilidade, facilidade de carregamento, atendimento técnico, preço por volume e eficiência logística. Já o consumidor final pode precisar de inspiração, comparação, ambientação, demonstração e consultoria para escolher entre diferentes soluções.

Portanto, não existe um único modelo ideal de home center. Existe uma necessidade de alinhar formato de loja, mix, layout, mobiliário e serviços ao público prioritário da operação.

O home center deixa de ser depósito e passa a vender projetos

A organização tradicional por corredores e categorias ainda é necessária, mas não é suficiente. Materiais de construção são frequentemente comprados em conjunto e dependem de compatibilidade entre produtos.

Uma jornada de reforma de banheiro, por exemplo, pode envolver revestimentos, argamassa, rejunte, louças, metais, acessórios, iluminação e serviço de instalação. Se esses itens estiverem fisicamente distantes e sem comunicação que ajude na composição, o consumidor terá mais dificuldade para visualizar a solução completa.

Por isso, o home center contemporâneo precisa combinar três camadas de organização:

  1. Organização por categoria: elétrica, hidráulica, ferramentas, ferragens, pintura, pisos, revestimentos e materiais básicos.
  2. Organização por projeto: banheiro, cozinha, área externa, iluminação, reforma rápida ou construção estrutural.
  3. Organização por jornada: compra profissional, atendimento consultivo, inspiração, retirada, serviço e reposição.

A arquitetura comercial deve criar conexões entre essas camadas. A loja não pode ser apenas um conjunto de departamentos isolados; precisa funcionar como um sistema de soluções.

Serviços se tornam parte do produto

A contratação de serviços de instalação, montagem, acabamento e reforma transforma o papel do home center. A rede deixa de participar somente da venda do material e passa a acompanhar uma parte maior da jornada do cliente.

A Leroy Merlin vem ampliando sua vertical de Instalações e Reformas. Em publicação institucional de março de 2026, a empresa informou que pretende dobrar o faturamento dessa área, reforçando a estratégia de expansão de serviços.

Também há registros de que a rede já ultrapassou a marca de 1 milhão de serviços realizados no Brasil, conforme reportagem do Mercado & Consumo. O dado indica que instalação e reforma não são apenas complementos operacionais: podem atuar como elementos de diferenciação, recorrência e aumento do valor da compra.

Esse modelo exige áreas específicas dentro da loja, como:

  • Balcões de atendimento técnico;
  • Espaços para especificação de projetos;
  • Showrooms de ambientes;
  • Áreas para demonstração de materiais;
  • Pontos de contratação de instalação;
  • Comunicação sobre prazos e escopo;
  • Integração entre venda de produto e prestação de serviço.

Se esses ambientes forem improvisados em corredores de alto fluxo, a operação pode gerar congestionamento e perda de produtividade. O serviço precisa ser desenhado como uma zona própria, com identidade e função claras.

Atacarejo de construção exige outra lógica de layout

O crescimento do atacarejo de construção acrescenta uma camada importante ao debate. Esse formato atende simultaneamente profissionais, pequenos construtores e consumidores finais.

A operação precisa equilibrar exposição, volume, abastecimento, preço e agilidade. O cliente profissional pode entrar com uma lista objetiva e desejar concluir a compra rapidamente. Já o consumidor final pode precisar de ajuda para escolher materiais e entender as diferenças entre marcas e especificações.

Nesse contexto, o mobiliário para home center precisa ser resistente, modular e compatível com diferentes formas de abastecimento. A sinalização deve ser objetiva, especialmente em categorias técnicas, nas quais a escolha depende de aplicação, medida, desempenho ou compatibilidade.

A arquitetura pode combinar:

  • Corredores de alta eficiência para itens de reposição;
  • Áreas de atendimento especializado;
  • Exposição de soluções completas;
  • Comunicação técnica por aplicação;
  • Percursos rápidos para profissionais;
  • Zonas de inspiração para o consumidor final;
  • Áreas de retirada e carregamento.

A produtividade não depende apenas de aumentar a capacidade de armazenamento. Depende de reduzir o tempo entre a entrada, a decisão e a saída do cliente.

Mobiliário modular e comunicação visual aumentam a flexibilidade

As categorias de construção mudam conforme a sazonalidade, o ciclo de obras, as campanhas comerciais e o comportamento do consumidor. Um layout rígido pode exigir reformas frequentes para acompanhar essas mudanças.

A solução passa por sistemas mais adaptáveis:

  • Gôndolas reconfiguráveis;
  • Displays reaproveitáveis;
  • Painéis modulares;
  • Expositores para diferentes embalagens;
  • Mobiliário com comunicação substituível;
  • Ilhas de projeto;
  • Showrooms desmontáveis;
  • Estruturas preparadas para campanhas.

A modularidade não deve ser entendida apenas como uma decisão estética. Ela tem impacto direto no custo de implantação, na velocidade de atualização e na manutenção da identidade visual da rede.

A comunicação visual também precisa orientar, não apenas decorar. Em departamentos como elétrica, hidráulica, ferragens e pintura, a sinalização deve ajudar o consumidor a entender aplicações, compatibilidades e soluções relacionadas.

Uma arquitetura comercial eficiente responde a três perguntas:

  • Onde o consumidor está?
  • O que ele precisa resolver?
  • Qual é o próximo passo da jornada?

O digital também ocupa área física

O crescimento do e-commerce não elimina a importância da loja. Ele modifica sua operação.

Pedidos online, clique e retire, devoluções, separação de mercadorias e atendimento digital precisam de áreas próprias. Quando essas funções são incorporadas sem planejamento, a área de venda começa a disputar espaço com estoque temporário, carrinhos, embalagens e fluxo de funcionários.

O levantamento da Anamaco também aponta a presença crescente dos canais digitais entre os lojistas do setor. A loja física, portanto, precisa funcionar integrada ao ambiente online, e não como uma operação separada.

Um home center preparado para o omnichannel deve prever:

  • Ponto de retirada sinalizado;
  • Área de staging para pedidos;
  • Fluxo operacional separado do shopper;
  • Espaço para conferência e devolução;
  • Integração entre estoque e exposição;
  • Comunicação clara sobre pedidos digitais;
  • Mobiliário híbrido para venda e operação.

A retirada precisa ser rápida, mas não pode comprometer a circulação de quem está fazendo uma compra convencional.

Retail media transforma a gôndola em ativo comercial

O ponto de venda de material de construção também possui potencial para operar como canal de mídia para fabricantes e marcas.

Telas, totens, ilhas promocionais, pontas de gôndola e demonstrações podem gerar novas receitas e melhorar a comunicação de produtos. Porém, a implantação de retail media exige infraestrutura física adequada.

O projeto deve prever:

  • Pontos de energia;
  • Conectividade;
  • Locais para telas;
  • Visibilidade sem obstrução;
  • Espaços para ativações;
  • Gestão de cabos;
  • Manutenção dos equipamentos;
  • Integração com a sinalização permanente.

A mídia precisa ser incorporada à lógica da loja. Se cada fornecedor instala um elemento sem coordenação, o resultado pode ser poluição visual, excesso de mensagens e perda de legibilidade.

O melhor home center é aquele que consegue evoluir

A principal mudança na arquitetura comercial de um home center é abandonar a ideia de que o projeto termina na inauguração.

A loja precisa estar preparada para incorporar novas categorias, serviços, parcerias, formatos de atendimento e recursos digitais. Isso exige uma combinação de clareza operacional e flexibilidade construtiva.

O ambiente ideal é aquele que permite:

  • Reorganizar departamentos;
  • Criar áreas temporárias;
  • Ampliar serviços;
  • Alterar campanhas;
  • Integrar novas tecnologias;
  • Ajustar fluxos;
  • Atualizar a comunicação;
  • Preservar a identidade da rede.

Em um setor pressionado por custos, produtividade e seletividade do consumidor, a arquitetura comercial precisa gerar valor operacional. Não basta oferecer mais espaço: é necessário usar melhor cada metro quadrado.

O que compõe uma loja de home center moderna?

Uma loja de home center moderna combina exposição de produtos, ambientes de inspiração, atendimento técnico, serviços, retirada omnichannel, áreas para profissionais e comunicação visual orientada à solução.

Como organizar setores em um home center?

A organização deve combinar categorias, projetos e jornadas de compra. Além dos departamentos tradicionais, é importante criar conexões entre produtos complementares e facilitar o acesso a serviços, atendimento e retirada.

Qual é o papel dos serviços no varejo de construção?

Os serviços ajudam a transformar a venda de materiais em uma solução mais completa. Instalação, reforma, montagem e consultoria podem aumentar a conveniência, reduzir inseguranças e fortalecer o relacionamento com o consumidor.

Como o layout pode atender profissionais e consumidores finais?

A loja deve criar percursos e pontos de atendimento adequados a cada público. Profissionais precisam de agilidade e disponibilidade; consumidores finais podem demandar mais orientação, inspiração e demonstração.

Por que o mobiliário modular é importante?

Porque permite reconfigurar áreas, atualizar campanhas e incorporar novas categorias sem depender de reformas completas. Isso melhora a flexibilidade e reduz custos de adaptação.

O home center está deixando de ser um espaço organizado apenas para armazenar e expor materiais. Ele passa a funcionar como uma plataforma de projetos, serviços, relacionamento, logística e mídia.

A expansão da Obramax mostra que o investimento em lojas físicas continua estratégico. A evolução da Leroy Merlin evidencia o peso crescente dos serviços. Já os dados do IBGE reforçam que o aumento dos custos torna a eficiência da jornada ainda mais importante.

Nesse cenário, arquitetura comercial, mobiliário, comunicação visual e implantação precisam ser pensados em conjunto. O melhor PDV de construção não é necessariamente o maior, mas aquele que consegue orientar diferentes públicos, reduzir fricções e evoluir sem perder produtividade.

Sua rede está incorporando novos serviços, categorias e canais?

Converse com a Expoband sobre um PDV preparado para diferentes jornadas.

Fontes Consultadas

  1. Havan chega a 195 lojas no Brasil; veja onde Hang vai abrir as próximas unidades para bater meta em 2026 – NSC Total
  2. Primeiro atacarejo de materiais de construção do Brasil abrirá loja em Aparecida de Goiânia – Tribuna do Planalto
  3. Obramax recebe R$ 3,5 bi e acelera expansão ao lado da Leroy Merlin – Economic News Brasil
  4. Obramax anuncia 6 novas unidades e investe R$ 880 mi – 09/08/2026 – Painel S.A. – Folha
  5. Varejo de material de construção no 1º semestre de 2026
  6. Índice Nacional da Construção Civil desacelera para 0,44% em julho | Agência de Notícias

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