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Caso Skechers: o que acontece quando uma marca decide abrir 100 lojas ao mesmo tempo

Quando uma marca anuncia dezenas de milhões de dólares em investimento e a decisão de chegar a mais de cem lojas, a primeira suposição costuma ser que o dinheiro resolve o ritmo da expansão. Na prática, quem já conduziu um rollout de lojas sabe que o gargalo raramente é financeiro. É a capacidade de sustentar vários fornecedores homologados, entregando o mesmo padrão de marca, no mesmo prazo, em cidades diferentes ao mesmo tempo. O plano recente da Skechers no Brasil é um bom ponto de partida para entender esse desafio.

O case Skechers: capital não é o mesmo que velocidade de execução

A Skechers, hoje sob controle da 3G Capital, anunciou que já comprometeu mais de US$ 50 milhões com sua nova fase de expansão no Brasil, cobrindo marketing, estoque, produção local, um novo centro de distribuição e a formação da equipe brasileira. A meta de longo prazo é superar 100 lojas próprias no país. É importante fazer uma leitura precisa desse número: o plano prevê dez lojas próprias até o fim de 2026, com o potencial de superar 100 unidades no futuro, não a abertura simultânea de cem pontos de venda em curto prazo. Mesmo assim, o ritmo já é agressivo: a companhia abriu cinco lojas em pouco mais de um ano e projeta dobrar o volume de negócios no Brasil a cada dois ou três anos.

Esse tipo de ambição expõe rapidamente um limite que não é de caixa. Uma marca pode ter orçamento aprovado e cronograma definido, mas se a cadeia de fornecedores de mobiliário, cenografia e comunicação visual não tiver capacidade fabril homologada para atender várias lojas ao mesmo tempo, o plano trava antes de chegar à obra.

O panorama do franchising brasileiro reforça a pressão sobre a cadeia

O momento da Skechers não é isolado. O franchising brasileiro segue em expansão consistente: o setor faturou R$ 76,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 9,3% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF). No primeiro trimestre, o faturamento já havia somado R$ 72,7 bilhões, com 204.908 operações em atividade no país, um crescimento de 10,1% em relação a 2025.

Esse volume de novas operações, somado a movimentos como os da própria Skechers, de redes de alimentação em expansão acelerada e de marcas internacionais entrando no país, significa que várias empresas disputam, ao mesmo tempo, os mesmos fornecedores de mobiliário comercial, marcenaria e comunicação visual. Quando a demanda por canteiro de obras cresce mais rápido do que a capacidade instalada da indústria fornecedora, o atraso deixa de ser exceção e passa a ser risco estrutural de qualquer rollout.

O mito do capital como garantidor de velocidade

É comum tratar o orçamento aprovado como sinônimo de execução garantida, mas os dois problemas são diferentes. Ter capital resolve a decisão de expandir. Não resolve, por si só, se existem fornecedores capazes de entregar dezenas de conjuntos de mobiliário com o mesmo padrão de acabamento, no mesmo prazo, em praças distintas. Quando a rede não separa essas duas questões, o sintoma aparece sempre da mesma forma: divergência de acabamento entre lojas, atraso na entrega que empurra datas de inauguração já anunciadas, conflito entre o que foi especificado no projeto executivo e o que chega ao canteiro, e sobrecusto com compras emergenciais para tentar recuperar o cronograma.

Homologação de fornecedores: critério técnico, não lista de cadastro

Vale separar dois conceitos que costumam ser confundidos. Uma lista cadastral de compras reúne fornecedores que já venderam algo para a empresa alguma vez. Homologação técnica é outra coisa: é o processo que avalia se um fornecedor tem capacidade instalada real, repetibilidade de qualidade entre lotes e histórico de cumprimento de prazo sob volume, não apenas em uma entrega isolada.

Isso importa especialmente em um rollout acelerado, porque a rede não pode descobrir, na quinta ou na décima loja, que o fornecedor que atendeu bem a primeira unidade não consegue manter o mesmo padrão quando o volume aumenta. Homologar antes de escalar significa testar essa capacidade de repetição com antecedência, e não sob pressão de cronograma.

Da produção fragmentada ao fornecimento industrializado em kits

A resposta estrutural para esse gargalo é substituir a lógica de marcenaria artesanal, feita loja a loja, por um modelo de fornecimento industrializado em kits modulares por tipologia de loja. Um caso do próprio setor de alimentação ilustra o princípio, mesmo fora do universo de mobiliário: o Cabana Burger sustenta sua expansão, que deve levar a rede a 32 restaurantes até o fim de 2026, com uma cozinha central que produz 95% dos ingredientes usados nas unidades, justamente para garantir padronização e eficiência conforme a rede cresce. A lógica se aplica também à implantação física: quanto mais centralizada e industrializada for a produção de mobiliário e sinalização, menor a dependência de múltiplos fornecedores locais com padrões distintos.

Gestão de risco em aberturas simultâneas

Abrir várias lojas ao mesmo tempo multiplica pontos de falha simples. Um exemplo prático desse tipo de operação em ritmo intenso é o da Krispy Kreme, que vem abrindo lojas quase mensalmente em shoppings de São Paulo desde a chegada ao Brasil, incluindo duas novas unidades inauguradas em setembro de 2026. Redes que sustentam esse ritmo com estabilidade normalmente têm um ponto em comum: um cronograma-mestre único, com visibilidade sobre todos os fornecedores envolvidos em todas as lojas em andamento, e não cronogramas isolados por unidade. Sem essa visão consolidada, um atraso pontual em um fornecedor de sinalização em uma cidade pode passar despercebido até faltar poucos dias para a inauguração de várias lojas ao mesmo tempo.

A resposta da engenharia integrada e capacidade fabril

É nesse ponto que faz diferença ter um parceiro industrial de grande porte, e não apenas um fornecedor pontual. Um modelo que combina parque fabril próprio de alta capacidade com gestão integrada ponta a ponta, cobrindo engenharia, produção metalúrgica e de marcenaria, comunicação visual e montagem em campo, reduz justamente o risco de desabastecimento que trava rollouts plurianuais. É essa estrutura que permite ao Grupo Expoband sustentar aberturas simultâneas de fornecedores homologados, com o mesmo padrão de qualidade e prazo, para redes que decidiram acelerar a expansão física sem abrir mão de controle.

Perguntas frequentes sobre rollout de lojas

O que é rollout de lojas?
É o processo de abrir várias unidades de uma rede em um ritmo acelerado e coordenado, geralmente dentro de um plano plurianual com metas de expansão definidas.

Por que fornecedores homologados são críticos na expansão em escala?
Porque garantem que o padrão de qualidade e prazo se mantenha mesmo quando o volume de lojas aumenta, evitando que cada abertura dependa de uma negociação improvisada.

Quais os riscos de abrir muitas lojas ao mesmo tempo?
Atraso de inauguração, divergência de acabamento entre unidades, sobrecusto com compras emergenciais e perda de uniformidade da marca entre praças.

Como reduzir o prazo de implantação sem sacrificar a qualidade?
Substituindo produção artesanal e fragmentada por fornecimento industrializado em módulos e kits, com fornecedores homologados previamente para o volume esperado.

O plano da Skechers no Brasil, somado ao ritmo consistente do franchising nacional e a casos de expansão acelerada em outros segmentos, mostra um padrão recorrente: o dinheiro para expandir chega antes da capacidade produtiva para sustentar essa expansão. O rollout de lojas que realmente funciona não é o que tem o maior orçamento, mas o que decidiu, com antecedência, quantos fornecedores homologados a rede consegue sustentar ao mesmo tempo sem perder padrão, prazo ou qualidade.


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Fontes

  1. https://www.bloomberglinea.com.br/linha-esportiva/skechers-entra-na-disputa-pela-corrida-de-rua-e-mira-mais-de-100-lojas-no-brasil/
  2. https://mercadoeconsumo.com.br/04/09/2026/noticias-varejo/skechers-muda-estrategia-no-brasil-e-preve-chegar-a-100-lojas-proprias/
  3. https://abf.com.br/franquias-reforcam-presenca-no-cotidiano-dos-brasileiros-e-crescem-93-no-2-trimestre/
  4. https://www.abfexpo.com.br/media/abfexpo.com.br/06PRABFExpo2026-VESPERA-75498e95bab37aeb4dbfc3dca4a14eb9.pdf
  5. https://mercadoeconsumo.com.br/08/09/2026/shopping-centers/krispy-kreme-abre-duas-novas-lojas-em-shoppings-de-sao-paulo-em-setembro/
  6. https://gironews.com/food-service/cabana-burger-acelera-expansao-e-preve-32-restaurantes-em-2026/

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