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Uma marca, vários formatos: o que a expansão da Krispy Kreme ensina sobre o PDV

Quando uma marca decide crescer, a tentação é pensar em uma única planta ideal e repeti-la em toda cidade nova. A realidade do varejo de alimentação mostra outro caminho. Em setembro de 2026, a Krispy Kreme inaugurou duas operações em São Paulo no mesmo mês, um quiosque no Shopping Vila Olímpia e uma loja compacta de 40 m² no Bourbon Shopping, com estrutura própria para expedição de delivery. Cada uma segue uma lógica de espaço diferente, mas as duas precisam parecer, sem dúvida, a mesma marca. Esse é o desafio central de qualquer estratégia de formatos de loja.

A coexistência de formatos na expansão urbana contemporânea

O caso da Krispy Kreme não é isolado. A Juice&Co, rede fundada em modelo Grab & Go dentro de aeroportos, acaba de inaugurar sua primeira unidade fora de terminais, no Shopping Galleria, em Campinas, escolhida como flagship justamente para servir de referência operacional antes de expandir por franquias em novos mercados. O Cabana Burger, por sua vez, combina lojas próprias e franquias em formatos de metragens distintas para sustentar uma expansão que deve levar a rede a 32 restaurantes até o fim de 2026.

O movimento também aparece no dado macro do setor. Segundo o mais recente Estudo de Microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF), cerca de 40% das redes associadas à entidade já operam ao menos um modelo de microfranquia, com investimento inicial de até R$ 135 mil, e o ranking das 20 maiores microfranquias por número de operações somou 21.030 unidades em 2025, um crescimento de 17% sobre o ano anterior. Isso confirma que crescer por múltiplos formatos, incluindo quiosques e operações compactas, deixou de ser exceção e passou a ser estratégia deliberada de expansão.

A falácia da miniaturização mecânica do ponto de venda

O erro mais comum ao expandir por formatos diferentes é tratar o quiosque ou a loja compacta como uma simples redução proporcional da loja tradicional, como se bastasse encolher tudo na mesma proporção. Esse caminho quase sempre produz um espaço que parece improvisado, com balcão apertado, sinalização cortada pela metade e uma experiência de marca diluída. Uma tipologia menor não é uma versão incompleta da loja grande. É um projeto próprio, com fluxo de circulação, ergonomia e dinâmica de consumo pensados para aquele metro quadrado específico.

Matriz de decisão: o que é inegociável e o que é adaptável

O ponto de partida para expandir com segurança em múltiplos formatos é separar dois grupos de decisões. De um lado estão os elementos inegociáveis da marca, como paleta de cores, tipografia, materiais de acabamento característicos e a forma como o produto é apresentado. Esses códigos precisam se manter idênticos em qualquer metragem, porque são o que faz o cliente reconhecer a marca em qualquer lugar. Do outro lado estão as variáveis adaptáveis, como disposição do balcão, quantidade de assentos, largura de circulação e integração com áreas de delivery. Essas podem, e devem, mudar conforme o espaço disponível, desde que sigam um sistema modular pensado com antecedência, e não decisões improvisadas loja a loja.

Engenharia do quiosque: densidade visual e resistência

O quiosque tem uma restrição que a loja convencional não tem: precisa comunicar a marca inteira em poucos metros quadrados e, geralmente, em uma área comum de shopping com alto tráfego e exposição constante. Isso exige densidade visual, ou seja, transmitir identidade em pouco espaço sem parecer poluído, além de materiais com maior resistência a atrito e manuseio intenso, já que o quiosque costuma receber um volume proporcionalmente maior de contato físico do público do que uma loja fechada.

Engenharia da loja compacta: presença e delivery sob o mesmo teto

Já a loja compacta, como a unidade de 40 m² da Krispy Kreme no Bourbon Shopping, enfrenta um problema diferente: conciliar, no mesmo espaço, o atendimento presencial e a expedição de pedidos de delivery, dois fluxos que competem pelo mesmo balcão e pela mesma equipe. Quando esse balanceamento não é pensado no projeto, o resultado é previsível: motoboys acumulados na entrada, filas cruzadas e uma sensação de espaço saturado, mesmo em lojas com bom desempenho de vendas. Resolver isso é uma questão de engenharia espacial, não de sorte operacional.

Intercambialidade fabril e economia de escala

A viabilidade de manter vários formatos ao mesmo tempo depende de um fator pouco discutido: a intercambialidade dos componentes fabris. Se cada formato exigir peças de mobiliário totalmente exclusivas, o custo unitário de produção sobe e o prazo de implantação também. Quando módulos de balcão, painéis de comunicação visual e sistemas de iluminação são projetados para serem reaproveitados entre quiosque, loja compacta e flagship, com pequenas variações de montagem, a rede ganha economia de escala industrial mesmo tendo formatos visualmente distintos.

Soluções multiformato da Expoband

É exatamente nesse ponto que entra a engenharia especializada em múltiplos formatos físicos. Conceber, fabricar e instalar desde quiosques de alta densidade visual e resistência mecânica até flagships cenográficas complexas, mantendo a mesma unidade estética e a mesma eficiência de custo fabril entre eles, é o tipo de trabalho que exige parque produtivo próprio e não apenas um fornecedor pontual por formato. É essa estrutura que permite ao Grupo Expoband apoiar redes que decidiram crescer por mais de uma tipologia de loja sem transformar cada formato em um projeto isolado, com fornecedor e padrão próprios.

Perguntas frequentes sobre formatos de loja

O que são formatos múltiplos de loja?
São diferentes tipologias físicas usadas por uma mesma marca, como quiosque, loja compacta e flagship, cada uma adaptada a uma metragem e a um tipo de fluxo de consumidores.

Por que uma marca abre quiosque e loja compacta ao mesmo tempo?
Porque cada formato atende um tipo de praça diferente, um shopping de alto tráfego pode pedir um quiosque, enquanto uma região com forte demanda de delivery pede uma loja compacta estruturada para expedição.

Quais elementos de marca são inegociáveis em qualquer formato?
Paleta de cores, tipografia, materiais de acabamento característicos e a forma de apresentação do produto. Esses códigos não podem variar entre formatos.

Como integrar entrega e delivery ao ponto físico?
Projetando, desde o início, um fluxo separado para expedição de pedidos, que não compita com o espaço de atendimento presencial no balcão.

Considerações finais

O caso Krispy Kreme, somado aos movimentos da Juice&Co, do Cabana Burger e ao avanço estrutural das microfranquias no Brasil, mostra que crescer por múltiplos formatos de loja não é uma alternativa de segunda linha à expansão tradicional. É uma estratégia deliberada, que exige separar com clareza o que é identidade inegociável do que é variável adaptável, e projetar cada tipologia com a engenharia certa para o seu próprio metro quadrado.


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Fontes

  1. https://mercadoeconsumo.com.br/08/09/2026/shopping-centers/krispy-kreme-abre-duas-novas-lojas-em-shoppings-de-sao-paulo-em-setembro/
  2. https://mercadoeconsumo.com.br/10/09/2026/foodservice/juiceco-inaugura-primeira-unidade-fora-de-aeroportos-em-shopping-de-campinas/
  3. https://gironews.com/food-service/cabana-burger-acelera-expansao-e-preve-32-restaurantes-em-2026/
  4. https://www.abfexpo.com.br/media/abfexpo.com.br/ABFExpoEspacoMicrofranquias2026-b54bcebbd8265e10f97c3e203f980c6a.pdf
  5. https://abf.com.br/franquias-reforcam-presenca-no-cotidiano-dos-brasileiros-e-crescem-93-no-2-trimestre/
  6. https://centraldovarejo.com.br/abf-expo-2026-reune-mais-de-400-marcas-e-destaca-crescimento-do-setor-de-franquias/

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