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Layout de loja: o que a Pague Menos 4.0 ensina ao varejo

Como manter uma rede facilmente reconhecível quando suas lojas atendem públicos, cidades, formatos e hábitos de consumo diferentes?

A pergunta ganha relevância à medida que grandes varejistas deixam de enxergar o ponto de venda apenas como um espaço que precisa reproduzir um padrão visual e passam a tratá-lo como parte da experiência, da operação e da relação entre consumidor e marca.

Um movimento recente da Pague Menos ajuda a colocar essa discussão em perspectiva.

Em setembro de 2026, a companhia revelou que prepara um novo conceito denominado “loja 4.0”. Segundo informações divulgadas pelo Giro News e repercutidas pela Abrafarma, três unidades-piloto estão previstas para o Ceará até o final do primeiro trimestre de 2027.

A proposta envolve uma revisão da experiência e da jornada dentro das unidades, passando por elementos como iluminação, piso, mobiliário e sortimento. O projeto também prevê diferenciações relacionadas à localidade e ao perfil de público atendido.

Mais do que analisar especificamente o projeto da Pague Menos, o movimento ajuda a discutir uma questão estratégica para redes de farmácias, supermercados, atacarejos, franquias e outros negócios multiloja:

Padronizar uma marca significa necessariamente fazer todas as lojas iguais?

Para responder a essa pergunta, é preciso compreender o layout de loja não apenas como uma planta a ser reproduzida, mas como parte de um sistema capaz de combinar identidade, experiência, operação e adaptação.

O que está por trás da loja 4.0

A proposta divulgada pela Pague Menos parte de uma revisão ampla da experiência física.

Walace Siffert, vice-presidente comercial da companhia, explicou ao Giro News que o projeto deve revisitar a experiência e toda a jornada, abrangendo iluminação, piso e mobiliário. O executivo também mencionou a adequação de atributos da loja à localidade, diferenciando unidades de acordo com características do público e da região.

É importante não extrapolar essa declaração.

Como os projetos ainda estão em fase de piloto, não há base para afirmar que essas adaptações necessariamente resultarão em aumento de vendas ou qualquer outro efeito comercial específico.

O aspecto mais interessante do movimento está em outro lugar: uma rede pode preservar sua identidade enquanto testa diferentes formas de expressá-la fisicamente.

Essa discussão se torna ainda mais relevante quando observamos uma transformação mais ampla do varejo.

Em setembro de 2026, a National Retail Federation (NRF), ao reunir aprendizados do Retail’s Big Show Europe, destacou que as lojas físicas estão ganhando importância como espaços de confiança, conhecimento, serviço, descoberta e relacionamento.

Um dos exemplos apresentados foi o da Westwing, que busca oferecer uma marca globalmente consistente, mas com elementos capazes de gerar relevância local.

Essa combinação entre consistência e adaptação ajuda a entender por que o conceito de loja precisa ir além da reprodução de um projeto arquitetônico.

Para redes multiloja, a questão passa a ser: quais elementos formam a identidade da marca e quais podem mudar de acordo com o contexto de cada unidade?

Padronizar sem tornar todas as lojas iguais

Existe uma diferença importante entre consistência e uniformidade.

Uniformidade pressupõe reproduzir praticamente a mesma solução em diferentes unidades.

Consistência significa preservar códigos suficientes para que ambientes diferentes continuem sendo reconhecidos como parte da mesma marca.

Essa diferença permite pensar o conceito de loja em duas grandes camadas.

Elementos fixos

São componentes responsáveis por sustentar reconhecimento, coerência e funcionamento da rede. Dependendo do projeto, podem envolver:

  • princípios da identidade visual;
  • linguagem da comunicação;
  • padrões funcionais do mobiliário;
  • critérios de sinalização;
  • elementos de fachada;
  • determinados materiais e acabamentos;
  • requisitos técnicos e operacionais;
  • princípios de organização e exposição.

Elementos adaptáveis

São componentes que podem responder às características de cada unidade, como:

  • dimensões e configuração do imóvel;
  • quantidade e composição do mobiliário;
  • áreas destinadas às diferentes categorias;
  • necessidades específicas de circulação;
  • comunicação relacionada ao contexto da loja;
  • zonas de atendimento e serviço;
  • características da jornada.

Essa separação cria uma lógica diferente da simples replicação.

Em vez de desenvolver uma loja-modelo que precisa ser copiada integralmente, a rede pode criar um sistema de loja.

Nesse sistema, existem regras que preservam a identidade e, ao mesmo tempo, margens previamente definidas para adaptação.

É justamente esse equilíbrio que permite pensar em regionalização sem transformar cada nova unidade em um projeto completamente independente.

Layout de loja: quando o espaço participa da estratégia

Essa discussão também muda a maneira de interpretar o layout de loja física.

Layout não significa apenas decidir onde colocar gôndolas, balcões, displays ou caixas.

Ele organiza a relação entre circulação, categorias, serviços, exposição, comunicação e os diferentes pontos de contato existentes durante a jornada.

Em setembro de 2026, a McKinsey publicou uma análise sobre a evolução da loja física diante das transformações provocadas pela inteligência artificial e por novos comportamentos de compra.

Uma das ideias centrais apresentadas é que diferentes lojas podem assumir missões diferentes.

Algumas operações podem ser orientadas principalmente à conveniência, com foco em rapidez e previsibilidade. Outras podem assumir uma função maior de descoberta, inspiração, experiência e interação humana.

Essa distinção é particularmente importante para redes multiformato.

Uma unidade compacta, uma grande loja, uma operação de shopping e uma loja de rua podem compartilhar a mesma marca e, ainda assim, precisar organizar a jornada de maneiras distintas.

Por isso, antes de definir o desenho do espaço, algumas perguntas precisam ser respondidas:

Qual é a principal missão dessa unidade?

Como o consumidor deve percorrer o ambiente?

Quais categorias precisam ganhar maior visibilidade?

Onde estão os principais pontos de contato e atendimento?

A comunicação facilita a navegação ou aumenta a quantidade de estímulos?

O mobiliário responde tanto à exposição quanto às necessidades operacionais?

A identidade continua sendo a mesma. A maneira como o espaço cumpre sua função pode mudar.

Layout, mobiliário e comunicação precisam funcionar como um sistema

Quando um conceito de loja evolui, olhar isoladamente para cada elemento pode gerar inconsistências.

O mobiliário para lojas, por exemplo, não serve apenas como suporte para produtos. Dimensões, materiais, modularidade, acabamento e posicionamento interferem diretamente na organização física e na leitura do ambiente.

A comunicação visual também não deveria ser tratada como uma camada acrescentada somente depois que arquitetura e mobiliário estão definidos.

Ela precisa conversar com categorias, jornada, mobiliário e identidade.

O mesmo raciocínio vale para iluminação, acabamentos, sinalização e recursos tecnológicos.

Na prática, o consumidor não experimenta esses componentes separadamente.

Ele experimenta um único ambiente.

Essa visão sistêmica aparece também nas discussões mais recentes do varejo internacional.

Na cobertura do NRF 2026: Retail’s Big Show Europe, a National Retail Federation destacou que varejistas estão investindo em tecnologias conectadas para melhorar simultaneamente disponibilidade, produtividade, precisão e experiência.

Mas a própria entidade ressalta que a transformação da loja física não se resume à tecnologia. Arquitetura, serviço, produtos e interação humana continuam participando da percepção da marca.

A pergunta deixa, portanto, de ser simplesmente: “Qual mobiliário devemos instalar?” e passa a ser: “Qual sistema físico consegue traduzir a proposta da marca em diferentes tipos de loja?”

Regionalização sem perder identidade

A regionalização se torna particularmente relevante para redes presentes em mercados diversos – especialmente operações em crescimento ou modernização no Norte e Nordeste.

Mas regionalizar não significa simplesmente inserir referências estéticas ou decorativas relacionadas a determinada região.

A adaptação pode acontecer de maneira muito mais funcional.

O sortimento pode responder às características daquela praça.

A proporção entre categorias pode mudar.

A quantidade de módulos pode acompanhar o tamanho da unidade.

Serviços podem ocupar espaços diferentes.

A jornada pode priorizar determinadas missões de compra.

A própria Pague Menos, ao apresentar seu projeto 4.0, indicou justamente a intenção de considerar diferenças entre localidades e públicos dentro do novo conceito.

O mercado internacional oferece outros exemplos de como escala e contexto local podem coexistir.

Em setembro de 2026, a Ace Hardware anunciou ter alcançado sua centésima nova loja aberta no ano nos Estados Unidos, dentro de um plano de superar 170 inaugurações em 2026.

A rede opera sob um modelo de cooperativa de varejistas independentes e associa sua expansão à presença dos operadores em suas respectivas comunidades. Paralelamente, a companhia vem investindo no Elevate Ace, formato voltado à evolução da experiência das lojas.

O exemplo não deve ser interpretado como modelo diretamente transferível ao varejo brasileiro. Ele mostra, porém, que crescimento de rede, identidade de marca e presença local não precisam ser tratados como conceitos incompatíveis.

Para uma rede multiloja, uma possibilidade é trabalhar com uma lógica de componentes fixos e flexíveis.

Um mesmo sistema de mobiliário pode admitir diferentes módulos.

Uma linguagem de comunicação pode possuir aplicações específicas.

Um princípio de jornada pode ser traduzido para áreas físicas diferentes.

Um conjunto de materiais pode possuir alternativas homologadas.

Assim, regionalizar deixa de significar criar uma loja completamente nova a cada endereço.

Passa a significar adaptar um sistema existente dentro de parâmetros previamente definidos.

O desafio de implantar o conceito em escala

Criar um bom conceito é apenas uma parte da transformação do ponto de venda.

Para redes com dezenas ou centenas de unidades, a questão seguinte é operacional: como transformar esse conceito em rollout?

É nessa etapa que uma ideia precisa se tornar executável.

Isso envolve documentação, especificação de materiais, engenharia, prototipagem, produção, logística, instalação e controle de qualidade.

A velocidade das mudanças no varejo torna essa capacidade de execução ainda mais importante.

A NRF destacou em setembro de 2026 que uma das discussões atuais do setor está justamente na redução da distância entre insight e ação. Segundo a entidade, tecnologia e dados estão acelerando decisões relacionadas a merchandising, atendimento, operação e abastecimento, mas o desafio frequentemente também está no modelo operacional, na governança e na definição de responsabilidades.

No ambiente físico, existe um paralelo importante.

Não basta identificar que determinada loja precisa de uma adaptação. É necessário possuir um sistema capaz de transformar essa necessidade em especificação e execução sem perder controle sobre o conceito.

Quanto maior a rede – e quanto maior a diversidade entre imóveis e regiões – mais importante se torna definir os limites da adaptação.

Se tudo for fixo, o conceito pode ter dificuldade para responder às particularidades de cada operação.

Se tudo puder mudar, aumentam a complexidade de projeto, produção, implantação e manutenção.

Uma abordagem possível é organizar o conceito em três níveis:

1. Componentes obrigatórios

Elementos que todas as unidades devem preservar para garantir identidade, reconhecimento e requisitos técnicos.

2. Componentes modulares

Soluções previamente desenvolvidas que podem ser combinadas conforme área, formato, categoria ou perfil da unidade.

3. Componentes adaptáveis

Elementos que podem ser modificados de acordo com necessidades específicas, desde que permaneçam dentro de parâmetros definidos pela rede.

Essa lógica transforma o conceito de loja em uma espécie de sistema físico e operacional da marca.

E é justamente nesse ponto que projeto, mobiliário, comunicação visual, produção, logística e implantação precisam deixar de funcionar como decisões isoladas.

Identidade consistente pode conviver com adaptação local

O movimento anunciado pela Pague Menos ajuda a colocar em evidência uma transformação maior do varejo.

A loja física continua relevante, mas seu papel está ficando mais complexo.

A NRF destacou, em setembro de 2026, que varejistas estão tratando os espaços físicos cada vez mais como lugares de confiança, serviço, descoberta e relacionamento – não apenas como pontos onde uma transação acontece.

A McKinsey, no mesmo mês, acrescentou outro elemento importante: diferentes lojas podem precisar assumir missões distintas conforme o comportamento e a necessidade de seus consumidores.

Para redes que atuam em diferentes cidades, estados, formatos e perfis de mercado, isso muda a pergunta.

Em vez de: “Como fazer todas as lojas iguais?” vale perguntar: “O que precisa permanecer consistente para que todas sejam reconhecidas como parte da mesma marca?”

Essa distinção é fundamental.

Um layout de loja consistente não precisa ser rígido.

Um sistema de mobiliário não precisa possuir exatamente a mesma configuração em todas as unidades.

E regionalização não precisa significar perda de identidade ou abandono da escala.

Quando conceito, projeto, mobiliário, comunicação e implantação são pensados como partes de um mesmo sistema, torna-se possível construir uma rede reconhecível e, ao mesmo tempo, preparada para responder às particularidades de diferentes operações.

Para varejistas entrando em novas regiões, realizando retrofit, revendo formatos ou preparando um novo ciclo de expansão, esse se torna um dos principais desafios do PDV contemporâneo: transformar identidade em um sistema replicável, mas suficientemente flexível para funcionar em diferentes realidades.

Sua rede está revendo o conceito das lojas, planejando um retrofit ou preparando um rollout para novas unidades?

O Grupo Expoband pode participar da transformação do conceito em uma solução física replicável, conectando mobiliário, comunicação, produção e implantação para diferentes formatos de PDV.

Referências

https://www.abrafarma.com.br/noticias/pague-menos-prepara-modelo-de-loja-40-e-aposta-em-ia-para-gestao-de-dados

https://gironews.com/farma-cosmeticos/pague-menos-prepara-modelo-de-loja-4-0-e-aposta-em-ia-para-gestao-de-dados

https://nrf.com/blog/How-retailers-are-closing-the-insight-to-action-gap-with-AI

https://cdn.nrf.com/nrfcom/blog/what-retailers-were-talking-about-at-nrf-2026-retails-big-show-europe

https://www.mckinsey.com/industries/retail/our-insights/convenience-or-discovery-which-mission-will-your-store-serve

https://www.retailtouchpoints.com/news/ace-hardware-on-track-to-open-170-stores-in-2026/621267

https://www.retaildive.com/news/retailers-AI-supply-chain-smart-shopping/829609

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